Outra postagem um tanto quanto atrasada por assim dizer, mas ainda sim venho demonstrar que permaneço a sobreviver neste mundo de incertezas.
Didática e práxis pedagógica I começou no dia 22/09 como um momento para descarregar um peso ao mesmo tempo em que uma produção eminentemente sua estava escapando das suas próprias mãos, enfim, um momento para entrega do Memorial. Tal atividade avaliativa adquiriu um certo valor sentimental visto que além de ter sido uma produção própria, foi como um retorno ao que passou, no caso, a trajetória que vivemos no âmbito escolar. Tal atividade se mostrou bastante proveitosa a partir do momento que me forçou, de certa a forma, a pensar e refletir sobre episódios da vida que passaram despercebidos ou talvez simplesmente não dei o valor de objeto reflexivo. Fez-me retomar aos convívios, as amizades, as relações pessoais como um todo, comportamentos, valores, enfim, uma gama de atributos que rechearam de tal forma minha vida escolar a ponto de ter sido um dos melhores momentos da minha vida.
Nesse contexto ja citado de entrega dos trabalhos, foi-se feito posteriormente uma discussão livre sobre as produções pessoais, de forma que os indivíduos que quisessem poderiam falar a respeito do que tinha feito, como tinha escrito, o que tinha abordado, o que tinha pensado e e o que tinha lembrado, uma prática que visava principalmente o compartilhamento de experiências pessoais entre as outras pessoas, o que foi muito satisfatório.
Posteriormente a aula foi marcada por um daqueles momentos dinâmicos característicos desta disciplina. A sala foi dividida pela metade de forma que surgirssem dois grupos. Estes grupos seriam formados por pessoas ligadas por mãos dadas, as quais não largariam em nenhuma circunstância enquanto a brincadeira estivesse a ocorrer. Esta consistia em simplesmente fazer um grande "nó" com os participantes da dinâmica de forma que braços passavam sobre pernas, cabeças sobre braços, pernas sobre braços, pessoas giravam, ou seja, uma formação de uma grande confusão que todos viriam a tentar resolver. O foco aqui não era formar o nó, mas desatá-lo. O trabalho em equipe e o consenso inter-pessoal deveriam reinar neste processo visando o fim comum dos grupos, sair daquele emaranhado de indivíduos presos uns aos outros.
Foram momentos bem divertidos e satisfatórios nos dando possibilidades de reflexão, principalmente o momento anterior de discussões sobre os memoriais. Identifiquei-me significativamente com este trabalho, espero surgir oportunidades de fazer novamente algo do gênero. Esperemos novas aulas então!
terça-feira, 25 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Filme, valores, debate e aprendizado.
Depois de um bom tempo sem postar nenhuma informação acerca das produtivas aulas da disciplina Didática e práxis pedagódica I, venho finalmente me fazer vivo neste mundo e decidi retomar os meu deveres de estudante.
Vim retomar alguns dias que passaram desde a última aula sobre a qual não escrevi absolutamente nada por conta de múltiplos fatores. Enfim, o dia 15 foi marcado pela significativa atividade alternativa, não menos interessante que as outras aula, tratava-se da exibição de um filme denominado "Quase deuses", o qual retoma aos EUA num período em que havia um severa segregação e opressão racial, refletindo numa série de práticas sociais e valores extremamente ofensivos a determinados indivíduos que compunham aquela sociedade. Falo de uma época em que existiam banheiros distintos para negros e brancos, o mesmo para bairros, ofícios, lugares para tais ofícios, enfim, uma intensa relação desarmônica racial.
O filme ja citado foca na história de Viven Thomas, negro, carpinteiro da década de 30, o qual perde seu emprego devido ao episódio da Grande Depressão . Posteriormente consegue um emprego como zelador de um laboratório onde conhece o Dr. Alfred Blalock, o qual, a partir de demonstrações de interesse e facilidade por parte de Viven, vê no simples zelador um grande talento para a medicina. É a partir deste momento que a vida de Viven muda significativamente, acompanhando o Dr. Blalock como um assistente de laboratório com quem aprende tudo aquilo que sempre sonhou em aprender e fazer e por outro lado, para quem ensina que há muito mais por trás de uma simples cor que marca um indivíduo. Não vou abordar até o final do filme é claro, se não perde a graça pra quem não viu.
É nesse sentido que as novas discussões posteriores foram feitas abertas para toda a classe após a exibição do magnífico e emocionante filme. O debate se pautou muito em estabelecer relações com a leitura recente que tínhamos feito do livro "Pedagogia da autonomia" de Paulo Freire. Era uma relação impossível de não ser feita visto que era possível encontrar no filme diversos elementos os quais estavam englobados na riqueza da obra de nosso querido educador. A questão da troca de valores se mostra extremamente presente no enredo que circunda as relações de Viven com o Dr. Blalock, visto que, por mais que o título de "Doutor" seja pertencente a Blablock, ocorre que ao trabalhar com um negro que sonhava ser um médico e mostrou grande talento em fazê-lo, aquele passou a demonstrar seu afeto pelo assistente em detrimento de toda ideologia que rondava a época em que viveram. Torna-se uma quebra de paradigma de peso nesse contexto pois, por um lado estamos tratando de uma relação intensa de negro e branco num momento histórico em que isso não era socialmente bem visto, por outro lado foi exatamente um negro a chave da revolução da medicina cardíaca no filme, um indivíduo que não tinha nenhuma condição naquela sociedade.
Foi uma aula extremamente interessante se considerarmos que o filme foi uma atividade relativamente diferente das outras aulas que havíamos tido anteriormente, devo destacar em especial os debates que marcam sempre a segunda parte da aula que também são muito produtivos, neste caso, sobre essa relação do filme com a obra de Paulo Freire, muito proveitoso para nosso futuro ofício.
Vim retomar alguns dias que passaram desde a última aula sobre a qual não escrevi absolutamente nada por conta de múltiplos fatores. Enfim, o dia 15 foi marcado pela significativa atividade alternativa, não menos interessante que as outras aula, tratava-se da exibição de um filme denominado "Quase deuses", o qual retoma aos EUA num período em que havia um severa segregação e opressão racial, refletindo numa série de práticas sociais e valores extremamente ofensivos a determinados indivíduos que compunham aquela sociedade. Falo de uma época em que existiam banheiros distintos para negros e brancos, o mesmo para bairros, ofícios, lugares para tais ofícios, enfim, uma intensa relação desarmônica racial.
O filme ja citado foca na história de Viven Thomas, negro, carpinteiro da década de 30, o qual perde seu emprego devido ao episódio da Grande Depressão . Posteriormente consegue um emprego como zelador de um laboratório onde conhece o Dr. Alfred Blalock, o qual, a partir de demonstrações de interesse e facilidade por parte de Viven, vê no simples zelador um grande talento para a medicina. É a partir deste momento que a vida de Viven muda significativamente, acompanhando o Dr. Blalock como um assistente de laboratório com quem aprende tudo aquilo que sempre sonhou em aprender e fazer e por outro lado, para quem ensina que há muito mais por trás de uma simples cor que marca um indivíduo. Não vou abordar até o final do filme é claro, se não perde a graça pra quem não viu.
É nesse sentido que as novas discussões posteriores foram feitas abertas para toda a classe após a exibição do magnífico e emocionante filme. O debate se pautou muito em estabelecer relações com a leitura recente que tínhamos feito do livro "Pedagogia da autonomia" de Paulo Freire. Era uma relação impossível de não ser feita visto que era possível encontrar no filme diversos elementos os quais estavam englobados na riqueza da obra de nosso querido educador. A questão da troca de valores se mostra extremamente presente no enredo que circunda as relações de Viven com o Dr. Blalock, visto que, por mais que o título de "Doutor" seja pertencente a Blablock, ocorre que ao trabalhar com um negro que sonhava ser um médico e mostrou grande talento em fazê-lo, aquele passou a demonstrar seu afeto pelo assistente em detrimento de toda ideologia que rondava a época em que viveram. Torna-se uma quebra de paradigma de peso nesse contexto pois, por um lado estamos tratando de uma relação intensa de negro e branco num momento histórico em que isso não era socialmente bem visto, por outro lado foi exatamente um negro a chave da revolução da medicina cardíaca no filme, um indivíduo que não tinha nenhuma condição naquela sociedade.
Foi uma aula extremamente interessante se considerarmos que o filme foi uma atividade relativamente diferente das outras aulas que havíamos tido anteriormente, devo destacar em especial os debates que marcam sempre a segunda parte da aula que também são muito produtivos, neste caso, sobre essa relação do filme com a obra de Paulo Freire, muito proveitoso para nosso futuro ofício.
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